segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

De acordo com Palmira  Heine (http://www.inventario.ufba.br/04/pdf/pheine.pdf): "Gêneros virtuais é o nome dado às novas modalidades de gêneros textuais surgidas com o advento da Internet, dentro do hipertexto. Eles possibilitam, dentre outras coisas, a comunicação entre duas ou mais pessoas mediadas pelo computador. Comumente chamada de Comunicação Mediada por Computador (CMC), esta forma de intercâmbio caracteriza-se basicamente pela centralidade da escrita e pela multiplicidade de semioses: imagens, sons, texto escrito (cf. MARCUSCHI, 2004). A Internet veio inaugurar uma forma significativa de comunicação e de uso da linguagem através do surgimento dos gêneros virtuais, marcados pela fugacidade e volatilidade do texto, como no caso das salas de bate-papo, onde as conversas entre duas ou mais pessoas acontecem em tempo real, de maneira síncrona, tornando então o texto fugaz; pela interatividade, já que permitem a interação entre o leitor e o texto (como no caso dos weblogs, onde os leitores podem opinar, mandar recados ou discordar do que foi escrito, interferindo, assim, no texto virtual); pelo anonimato, em alguns casos, como os das salas de bate-papo abertas, onde as pessoas se escondem atrás de um nickname (apelido), criando uma nova ou novas identidades virtuais; dentre outras".

Um comentário:

  1. LUCAS PAZOLINE

    1. "Gêneros virtuais é o nome dado às novas modalidades de gêneros textuais surgidas com o advento da Internet, dentro do hipertexto”
    O primeiro apontamento que faço é em relação à nomenclatura “Gêneros Virtuais”. O próprio Marcuschi (2005), linguista cuja base teórica foi utilizada por Palmira, depara-se com uma longa nomenclatura para este fenômeno: “gêneros digitais”, “gêneros eletrônicos”, “gêneros textuais no domínio da mídia virtual”, “gêneros virtuais”, “gêneros da mídia virtual”. Até o próprio “textual” é uma forma de delimitar o tipo de gênero. Então, como o próprio Marcuschi (2005) afirma a incipiência dos estudos, vele ressaltar a importância da delimitação do campo de estudos, pois “a expressão gênero vem sendo atualmente usada de maneira cada vez mais frequente e em número cada vez maior de áreas de envestigação” (Marcuschi, 2008 p. 148 apud Bhatia, 1997).
    2. “Eles [os gêneros] possibilitam, dentre outras coisas, a comunicação entre duas ou mais pessoas mediadas pelo computador”
    Complementando esta idéia da mediação da interação pelo computador, é importante considerarmos outros aparelhos eletrônicos que comportam mídias digitais. Sabe-se que os novos instrumentos como os smarts, ipods, tablets etc não são comumente igualados ao computador, ao contrário, são muitas vezes incorporados como superiores a ele. Porém, é perceptível que há uma “miniaturização do personal computer” incorporada a esses novos equipamentos. Então, considerar a ideia de “computador” é ir além da junção de elementos como CPU, gabinete e periféricos, ou além do que o dicionário Houaiss considera enquanto “máquina destinada ao processamento de dados, capaz de obedecer a instruções que visam produzir certas transformações nesses dados para alcançar um fim determinado”. Assim, deve-se delimitar quais os “computadores” que favorecem a consolidação e emergência dos gêneros textuais digitais.
    3. “[A CMC] caracteriza-se basicamente pela centralidade da escrita e pela multiplicidade de semioses: imagens, sons, texto escrito.” (cf. MARCUSCHI, 2004)
    Para Marcuschi (2005), “o fato inconteste é que a Internet e todos os gêneros a ela ligados são eventos textuais fundamentalmente baseados na escrita. Na Internet, a escrita continua essencial apesar da integração de imagens e de som [...] Podemos dizer que os gêneros textuais são frutos de complexas relações entre um meio, um uso e a linguagem”. Se considerarmos apenas a escrita enquanto base fundamental para a constituição do gênero textual, descartaríamos a ideia de que um diálogo em LIBRAS (mesmo sabendo que há propostas de escrita dessa “língua gestual”) não se estabeleceria através de gêneros. Então, fica o questionamento: se eu participar de um diálogo num chat apenas com emoticons, ou seja, estabelecendo relação entre um meio, um uso e a linguagem, eu estaria utilizando um gênero... gênero textual... gênero textual digital?
    4. “Internet veio...”
    Ao falarmos que a Internet possibilita a emergência de novos gêneros, é importante delimitar que a mesma se constitui enquanto o conjunto de redes de computadores que se comunicam entre si. Um exemplo desta relação internet-gênero é o Skype, um programa instalado num ambiente criado por um sistema operacional (Windows, Linux etc) que faz conexão com outros computadores que o tenham instalado. Por outro lado, um chat como o “Bate-papo Uol” só está disponível em um ambiente digital, a web, que é um ambiente ou plataforma disponível através da internet onde informações são publicadas, disponibilizadas e acessadas. Então, penso que é na web mais especificamente que os "gêneros virtuais" emergem com maior velocidade.

    MARCUSCHI, L. A . “Gêneros Textuais Emergentes no Contexto da Tecnologia Digital”. In: Hipertexto e Gêneros Digitais. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2005.
    _________________. “Gêneros textuais no ensino de Língua”. In: Produção textual, Análise de gêneros e Compreensão. São Paulo: Parábola. Editorial, 2008.

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