Algumas ponderações sobre o vídeo “Fala e escrita” – parte 01
As reflexões de Marcuschi trazem dados relevantes e, às vezes, alarmantes, uma vez que se há atualmente cerca de 5000 línguas no mundo e apenas 10% delas possuem uma escrita e uma literatura próprias, não era para se constatar algumas discordâncias que existe entre fala e escrita na contemporaneidade. É justamente nesse vasto ciclo de línguas existentes no mundo atualmente que apresentam uma escrita (ou até mais de uma) e uma literatura próprias (entre elas a Língua Portuguesa) que se constatam de forma veemente os maiores paradoxos entre escrita e fala que permitem as seguintes inquietações: deve haver alguma supremacia da escrita em detrimento à fala? A escrita é realmente uma representação da fala? Segundo o autor, esses mitos foram construídos e reproduzidos socialmente, mas não apresentam bases sustentáveis. Assim, a escrita não pode ser superior à fala, pois não concorrem entre e sim se complementam. Ele também segue discordando de que a fala seja uma representação da escrita: ambas são uma representação da língua e constituem unidades comunicativas que podem ser empregadas pelo falante conforme as necessidades ou a opção mais adequada para o contexto a ser empregado.
Compreender que a fala e a escrita possuem características distintas é muito importante para todos aqueles que usam estas modalidades.Esta compreensão levará a entender o quanto o hipertexto, consegue, muitas vezes dá abarcar essas modalidades de representação da língua.
Relacionando fala e escrita, Marcuschi afirma que “um cidadão que não domina a escrita é visto como um cidadão de segunda categoria”. É interessante notar que a escrita à qual ele se refere é aquela aprendida em instituições formais de ensino. Por outro lado, o linguista vai além dessa minha proposição ao considerar que “a escrita é recente em todas as suas diversas formas de se manifestar”. Com esse dizer atrelado ao fato de que qualquer pessoa utiliza cerca de “10 por cento do tempo escrevendo”, percebe-se que a escrita em/para plataformas digitais é cada vez mais praticada, principalmente, em sua forma “não-escolarizada”. Logo, essa mudança (aumento) de porcentagem no ato de escrever não equivale a dizer que os indivíduos estão ascendendo socialmente.
Um pequeno vídeo, mas que apresenta uma diversidade de informações. Me chamaram a atenção aspectos destacados pelos colegas Alex e Lucas, que são, respectivamente, o pequeno percentual de líguas que possui o registro escrito e a visão preconceituosa e relação aos que não dominam o sistema formal de escrita. Sobre a importância da escrita em detrimento da oralidade, penso que o debate nas instituições escolares precisa ser fortalecido para que novas práticas possam ser pensadas de modo a abarcar a diversidade. Por outro lado, fiquei aqui lembrando do livro Linguagem e Escola (Magda Soares)no qual ela discute, dentre outras questões, a teoria da economia das trocas linguísticas (Bourdieu) e fala sobre e capital linguístico escolarmente rentável. Assim, cabe questionar: A quem, de fato, interessa a manutenção dessa distinção social pela linguagem? Por que há necessidade de hierarquizar e dicotomizar as diferentes formas de linguagem?
Algumas ponderações sobre o vídeo “Fala e escrita” – parte 01
ResponderExcluirAs reflexões de Marcuschi trazem dados relevantes e, às vezes, alarmantes, uma vez que se há atualmente cerca de 5000 línguas no mundo e apenas 10% delas possuem uma escrita e uma literatura próprias, não era para se constatar algumas discordâncias que existe entre fala e escrita na contemporaneidade.
É justamente nesse vasto ciclo de línguas existentes no mundo atualmente que apresentam uma escrita (ou até mais de uma) e uma literatura próprias (entre elas a Língua Portuguesa) que se constatam de forma veemente os maiores paradoxos entre escrita e fala que permitem as seguintes inquietações: deve haver alguma supremacia da escrita em detrimento à fala? A escrita é realmente uma representação da fala? Segundo o autor, esses mitos foram construídos e reproduzidos socialmente, mas não apresentam bases sustentáveis.
Assim, a escrita não pode ser superior à fala, pois não concorrem entre e sim se complementam. Ele também segue discordando de que a fala seja uma representação da escrita: ambas são uma representação da língua e constituem unidades comunicativas que podem ser empregadas pelo falante conforme as necessidades ou a opção mais adequada para o contexto a ser empregado.
Alecrisson da Silva
Compreender que a fala e a escrita possuem características distintas é muito importante para todos aqueles que usam estas modalidades.Esta compreensão levará a entender o quanto o hipertexto, consegue, muitas vezes dá abarcar essas modalidades de representação da língua.
ResponderExcluirOutras ponderações:
ResponderExcluirRelacionando fala e escrita, Marcuschi afirma que “um cidadão que não domina a escrita é visto como um cidadão de segunda categoria”. É interessante notar que a escrita à qual ele se refere é aquela aprendida em instituições formais de ensino. Por outro lado, o linguista vai além dessa minha proposição ao considerar que “a escrita é recente em todas as suas diversas formas de se manifestar”. Com esse dizer atrelado ao fato de que qualquer pessoa utiliza cerca de “10 por cento do tempo escrevendo”, percebe-se que a escrita em/para plataformas digitais é cada vez mais praticada, principalmente, em sua forma “não-escolarizada”. Logo, essa mudança (aumento) de porcentagem no ato de escrever não equivale a dizer que os indivíduos estão ascendendo socialmente.
Um pequeno vídeo, mas que apresenta uma diversidade de informações.
ResponderExcluirMe chamaram a atenção aspectos destacados pelos colegas Alex e Lucas, que são, respectivamente, o pequeno percentual de líguas que possui o registro escrito e a visão preconceituosa e relação aos que não dominam o sistema formal de escrita.
Sobre a importância da escrita em detrimento da oralidade, penso que o debate nas instituições escolares precisa ser fortalecido para que novas práticas possam ser pensadas de modo a abarcar a diversidade.
Por outro lado, fiquei aqui lembrando do livro Linguagem e Escola (Magda Soares)no qual ela discute, dentre outras questões, a teoria da economia das trocas linguísticas (Bourdieu) e fala sobre e capital linguístico escolarmente rentável. Assim, cabe questionar: A quem, de fato, interessa a manutenção dessa distinção social pela linguagem? Por que há necessidade de hierarquizar e dicotomizar as diferentes formas de linguagem?